Clínica Freixêdas

Medicina e Saúde

Muito mais do que só um dia ruim

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De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 350 milhões de pessoas ao redor do mundo sofrem com a depressão. Em 2011, a organização publicou um panorama global da doença que concluiu que, entre os países de baixa e média renda, o Brasil é o que mais sofre com o distúrbio e, segundo pesquisa realizada pelo Hospital das Clínicas, 25% dos paulistanos portadores de algum problema psicológico foram diagnosticados com depressão.

Diante de dados como estes, a comunidade médica internacional tem feito esforços significativos para que a saúde mental faça parte da agenda global de discussões e ações voltadas para a promoção da saúde. Nas palavras da antiga diretora médica da OMS, Dra. Gro Harlem Brundtland: “falar de saúde sem falar de saúde mental é como afinar um instrumento e deixar algumas notas dissonantes”.

Mesmo assim, muitos mitos e preconceitos ainda gravitam em torno da doença, dificultando seu diagnóstico e contribuindo para que boa parte da população sofra em silêncio ou ignore os problemas que tem.

Os Sintomas
Uma tristeza que não é só uma tristeza

Quando se fala em depressão, o primeiro sintoma que vem à mente é a tristeza. De fato, pessimismo, crises de choro e uma falta de interesse generalizada podem indicar um quadro depressivo, entretanto, existem muito mais variáveis na sintomática dessa doença do que se costuma imaginar.

“No meu caso, o que desencadeou o diagnóstico foi uma insônia muito forte” conta M.G.*, 23 anos, que foi diagnosticada depressiva aos 15 anos de idade. “Não conseguia dormir por nada e, depois de algumas semanas assim, pedi ajuda aos meus pais, que me levaram a uma psiquiatra”.

Muito mais do que uma sensação de desânimo, a depressão costuma ser descrita como algo que, em sua pior forma, priva quem a tem da própria vontade de sentir. Ela normalmente vem acompanha de alterações no apetite, sono e capacidade de concentração, mas isso pode variar muito de acordo com a dinâmica e intensidade das crises.

Sobre esse tema, a OMS lançou um vídeo que descreve muito bem as características da doença. Nele, é possível acompanhar a trajetória de uma pessoa desde antes do diagnóstico até o desenrolar do tratamento. A iniciativa se deu por conta do Dia Mundial da Saúde Mental, comemorado em 10 de outubro, que teve a Depressão e suas estatísticas alarmantes como tema central.

“O engraçado é que, durante o tratamento, você vai percebendo que coisas que você achava que eram suas, na verdade eram sintomas da depressão e vice e versa. Eu sempre achei que eu era uma pessoa melancólica, mas aos poucos fui percebendo que eu era muito mais otimista e alegre do que eu imaginava”. A insônia que motivou o diagnóstico, por outro lado, é algo que acompanha M.G. até os dias de hoje. “Eu simplesmente durmo pouco”, constata.

O Diagnóstico
Tabu que impede a recuperação

Devido aos estigmas relacionados a distúrbios psicológicos, é muito comum que as pessoas simplesmente optem por ignorar seus sintomas. De acordo com dados da OMS, aproximadamente 70% dos depressivos não recebem tratamento adequado.

Por conta disso, uma prática ruim, porém cada vez mais difundida é a da automedicação. Inibidos, pelo medo e pelo preconceito, de procurarem ajuda profissional, muitos depressivos acabam embarcando numa jornada solitária em busca de paliativos para seus sintomas, que podem ir desde o uso inadequado de remédios até o consumo compulsivo de drogas, álcool ou até mesmo comida.

Apesar de sempre ter tido a sorte de contar com o apoio de familiares e amigos, M.G. ainda se resguarda das reações alheias: “Tomo muito cuidado pra quem falo sobre a minha depressão, porque não quero ser julgada como depressiva, quero ser julgada como qualquer outra pessoa. Tem muita gente que não entende isso e acha que qualquer reação negativa que eu tenho é uma crise”, conta a mulher que lida com a doença há quase 10 anos.

O Tratamento
Assumir, persistir e tratar

Após o diagnóstico da doença, é preciso iniciar o tratamento que, em sua forma mais comum, é composto por uma combinação de remédios (antidepressivos e ansiolíticos) e psicoterapia.

Independente da linha que se opte por seguir, o primeiro passo é assumir a existência de um problema e procurar a ajuda de um profissional. Isso é importante pela necessidade de acompanhamento da medicação e, principalmente, porque cada indivíduo reage de uma forma distinta ao tratamento. Enquanto uma abordagem pode ser extremamente eficiente para uns, para outros pode ser completamente ineficaz, o que tende a gerar muita frustração. Nessas horas, o acompanhamento de um profissional faz toda a diferença na evolução do tratamento.

Sobre isso, M.G. conta que, após todos esses anos lidando com a depressão, tem certeza de que a medicação é apenas 30% do conjunto. “Quando você começa o tratamento, rola um efeito meio placebo. Você acha que vai melhorar logo porque está tomando remédio, mas não é bem assim. Demora até você encontrar as dosagens e as substâncias corretas; além disso, os efeitos colaterais são vários. Isso pode ser muito angustiante, mas tem que persistir e a terapia é fundamental nesse processo”.

Mesmo com o tratamento adequado, nem sempre é possível falar em cura quando o assunto é depressão. No caso de M.G., por exemplo, é possível que a doença seja uma realidade que a acompanhe por toda a vida, mas isso não precisa ser um problema. Segundo ela, com o passar dos anos você começa a entender melhor a sua condição e, aos poucos, vai criando formas de conviver em paz com ela.

“Tem momentos em que parece que a doença te domina, mas você tem que lembrar que é uma pessoa. Quanto mais você avança no tratamento, mais você entende quem é essa pessoa e o que é essa doença. Vocês só habitam o mesmo corpo, mas a depressão fica no dedinho do seu pé. Ela é 5% de você e isso não pode te definir”, conclui.

Fonte: Blog Laboratório Delboni

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